A fotografia está em cartaz em Salvador na exposição coletiva Paisagens em Travessia, na Caixa Cultural, até dia 16 de agosto. Mas continua morando em Lisboa, de onde manda ótimas dicas do que fazer na terra de Fernando Pessoa!
– Como é viver na capital portuguesa?
Moro aqui há cerca de quatro anos e, hoje, sinto Lisboa como minha também. Viver na cidade é respirar um tempo mais calmo, onde o ritmo de uma capital cosmopolita convive com uma escala humana superacolhedora. Adoro essa liberdade de caminhar sem pressa, sentindo o vento e a proximidade gostosa do Rio Tejo e do oceano. É um lugar que inspira quem cria.
– O que mais te impacta na cidade?
Como fotografa, o que mais me conquista é a paz que a segurança traz para o dia a dia. Saber que posso caminhar com uma câmera onde quer que eu vá, sem medo, liberta o meu olhar. E, claro, a luz de Lisboa! Ela é única, branca e brilhante, batendo nos azulejos e nas calçadas e mudando a paisagem a cada hora do dia.
– O que nós, brasileiros, podemos aprender com os portugueses ?
Podemos aprender a viver uma vida mais simples, valorizando a quietude e o respeito pelo tempo. O orgulho que eles têm em preservar o patrimônio histórico e essa leveza discreta no cotidiano nos convidam a curtir o momento presente com mais calma e menos urgência.
– Quais são as comidas daí que você mais gosta? E bebidas?
Virei fã do clássico bife à moda portuguesa, com aqueles molhos tradicionais deliciosos, e não resisto a um pastel de nata quentinho com canela. Para acompanhar os finais de tarde, prefira os vinhos tintos do Douro e do Alentejo, que são maravilhosos.
– Que restaurantes ou bares são considerados imperdíveis?
Belmiro, lugar delicioso que preserva a alma e os sabores da cozinha tradicional mais autêntica, e Café de São Bento, clássico superintimista e aconchegante, que serve o bife mais icônico de Lisboa.

– Quais são os melhores passeios a se fazer em Lisboa?
Parque da Estrela: Amo caminhar por ali. No verão, é lindo ver as pessoas deitadas no gramado tomando sol e fazendo lanche; e no inverno, o passeio continua delicioso, caminhando lentamente entre as árvores imensas. Passear pelo Tejo, seja em um veleiro ao entrar ou caminhar na beira da água; o rio acalma a alma e reflete toda a beleza da cidade. Belém: Caminhar curtindo a brisa e visitar a arquitetura moderna do MAAT e as exposições do Museu MAC-CCB. Marvila: Sentir a energia da arte contemporânea nas galerias e nos murais urbanos espalhados pelo bairro.
– Há nomes que você indicaria, seja na arte, fotografia, música, literatura, moda ou cinema?
Na música, sou encantada pela Carminho. A voz dela é linda, une o fado tradicional a uma energia moderna e ela tem uma ligação incrível com o Brasil, já tendo gravada com Chico Buarque e Marisa Monte. Em arte e cultura, como obras incríveis de Pedro Cabrita Reis e Albuquerque Mendes. Não deixem de visitar também a Fundação Calouste Gulbenkian, que tem um jardim delicioso e o novo Centro de Arte Moderna (CAM). Em literatura e pensamento, a companhia eterna do poeta Fernando Pessoa e os ensaios estéticos maravilhosos da filósofa Maria Filomena Molder. No cinema, os filmes poéticos do diretor Miguel Gomes.

Paisagens em Travessia
Caixa Cultural Salvador R. Carlos Gomes, 57
Até 16 de agosto de 2026
Terça-feira a domingo e feriados, das 09h às 18h
Fotos: arquivo pessoal e divulgação