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Dimi Ferreira ou a dança no corpo e na alma!

Alma Baiana
Escrito por Alma Baiana

A dança de corpo e alma. Assim se define a coreógrafa e professora de dança Dionísia Emília Menezes Ferreira, a Dimi, baiana de Cachoeira. Formou-se em Salvador e há muitos anos mora na capital cultural do mundo, Paris, também conhecida como Cidade Luz. É mãe, tem um filho franco-brasileiro, Yoan, nascido em 1996.

Recentemente, ela esteve no Brasil, nas suas férias do verão francês. Desembarcou no Rio, e de lá foi para a fazenda do irmão João Roberto, e da cunhada Rita Viana, em Brasília. Em Salvador ficou na casa do seu pai Antônio Ferreira. De retorno à França, terminou suas férias estivais na sua casa do litoral da Normandia, na cidade de Dieppe, onde inclusive morou alguns anos atrás. Enfim, voltou ao batente de professora titular de Dança Contemporânea, em setembro, no Conservatório Charles Munch, no 11⁰ distrito da capital francesa, onde leciona desde 2012.

De Cachoeira até Paris a estrada foi longa, e o percurso de Dimi é interessante, merece ser contado. Depois dos estudos primários na sua cidade natal, a família se transferiu para a capital baiana, e a menina Dimi, filha de uma professora e de um escrivão do cível, passou pelas Sacramentinas e pelo Vieira no ensino médio, nos anos 70. Formou-se em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia, mas já durante a faculdade, sua paixão era outra.

Autodidata no início, já em 1983 frequentava as aulas da Dança Afro no Teatro Castro Alves, do saudoso Augusto Omolu  e Armando Pekeno. Integrou em 1986 o Grupo Chama, e entre 1986 e 1989 A Mantra, companhia de dança de Fátima Suarez, tendo ali atuado em coreografias de Pekeno, Paulo Fonseca e Lícia Morais. De 1986 a 1990 participou, como dançarina e assistente de coreografia, do Grupo África Poesia, onde eram desenvolvidas pesquisas  sobre dança afro-contemporânea.

Após trabalhos no Olodum, seguiu rumo à pós-graduação em Coreografia na própria Ufba, em 1992. Ali, como trabalho de conclusão de curso, apresentou e surpreendeu com o aplaudido “As Cores do Vermelho”, espetáculo dançado por Cristina Castro, Flexa II, Rosa Barreto e Matias Santiago. Era dezembro de 1992. Obteve a nota máxima, e foi classificado entre os 10 melhores daquele ano pelo jornal A Tarde.

 

O espetáculo foi o reconhecimento profissional, e naquele mesmo ano recebeu – e felizmente aceitou! – o convite do coreógrafo Cláudio Basílio, diretor do Balé Afro-Brasileiro, para uma temporada na França. Ela conta para o ALMA BAIANA num dos seus lugares prediletos de Paris, o Café Livres, misto de bar e livraria no bairro de Châtelet: “Queria deixar o Brasil pois discordava da política cultural em relação à dança. Queria viver dignamente da minha arte, além de curiosa em dançar em outro país”.

Durante esta primeira experiência parisiense, o coração também falou alto: “Estava com 30 anos, e com o dossiê para uma bolsa de estudos da Calarts, no Brasil, em andamento. E eu queria ter um filho”. Foi quando na estreia do espetáculo “Coisas do Brasil”, em fevereiro de 1993, no Théâtre Equixone, havia no foyer uma exposição da associação francesa Bahiabop. A mostra era dirigida por Fred Waucampt, futuro marido e pai do seu filho!

Os projetos de Dimi vão de vento em popa, apesar das circunstâncias francesas, e mundiais, antenados com este novo normal, no embalo das novas mídias. No final de outubro, apresentou o projeto “Solos na Rede”, um solo de 10 minutos, filmado como um curta. “É dedicado aos artistas brasileiros que resistem neste momento, e às mulheres de mais de 50 anos”. Para (re)ver, é só acessar o link: https://youtu.be/NVFbTnOPHH8

E conclui: “Eu realizo, além do meu trabalho de professora, um trabalho de artista como dançarina/coreográfa independente”.
Está dado o recado! Avante!

*Por Duda Tawil, texto e fotos, correspondente do Alma Baiana na França

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