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Em carta aberta, diretor Márcio Meirelles expressa preocupação com a sobrevivência do Teatro Vila Velha

Alma Baiana
Escrito por Alma Baiana

De portas fechadas desde o dia 18 de março, devido à pandemia do Covid-19, o Teatro Vila Velha está vivendo sem a renda que obtém com a bilheteria, oficinas, programas de formação e a venda de alimentos e bebidas no café do Cabaré dos Novos. Como consequência, o espaço não consegue pagar seus custos mensais e decidiu intensificar a campanha de financiamento coletivo Amigos do Vila.

Lançada em novembro de 2019, o projeto busca uma ajuda mensal com valores que vão de R$1 a R$250, criado com o intuito de construir uma base financeira alternativa para infraestrutura, formação artística e produção de espetáculos. Porém, neste período de isolamento social, a campanha transforma-se num único pilar para a sobrevivência do teatro.

Atualmente o Vila Velha recebe apoio do Governo do Estado da Bahia através do Edital de Apoio a Ações Continuadas, que dá conta de manter a estrutura mínima do teatro. De acordo com o diretor artístico Márcio Meirelles, o edital não cobre todos os gastos necessários e o próprio teatro precisa levantar, de forma independente, cerca de R$ 20 mil reais por mês.

Em carta aberta ao público, Meirelles expressa preocupação com a sobrevivência do teatro, temendo que o espaço não consiga se reerguer após a pandemia. Confira na íntegra:

“Respeitável público,
o teatro vive por vocês e queremos que estejam vivos para que esta arte continue viva também. Por isso fechamos as portas do Teatro Vila Velha, coisa inédita nestes nossos 55 anos. Mas agora o invisível nos venceu, a pandemia do Covid-19 nos forçou a fazer o impensável: a fechar as portas do teatro. Isso significa que perdemos, além da possibilidade de exercer nosso ofício, os recursos vindos da bilheteria, das mensalidades das oficinas e atividades de formação e da venda de comidas e bebidas no Cabaré dos Novos. Ainda temos o programa de apoio às ações continuadas de entidades culturais do estado, mas esse programa só cobre parcialmente as despesas do teatro. Todo mês temos que levantar em torno de 20 mil para pagar parte dos custos que não estão na planilha do programa. Esses custos diminuirão, mas não vão zerar. Vamos diminuir o consumo de energia e negociar o contrato com a Coelba. Vamos diminuir o ar condicionado, mas temos que fazê-lo funcionar ao menos uma vez por semana. Vamos diminuir o consumo de água, telefone, material de limpeza, mas ainda serão custos. E ainda temos os salários de parte dos funcionários não cobertos pelo apoio do estado que não vamos demitir, mas dar férias; mas um técnico tem que vir pelo menos uma vez por semana para cuidar dos equipamentos; as 3 funcionárias da administração vão continuar trabalhando de casa; mas temos que ter um revezamento de visitas nossas para garantir a segurança do prédio. Os artistas estão criando alternativas cênicas em casa, pela internet, sem nenhuma perspectiva de remuneração já que não estão em cena. Estamos sem atividades públicas mas queremos continuar juntos. Queremos que, depois deste momento sombrio de silêncios e isolamento, o Vila possa ser reaberto cheio de luz e alegria e sons para celebrar a vida. Não estamos em cena mas ainda temos vocês e contamos com vocês. Em novembro de 2019 o Vila lançou a campanha de financiamento coletivo continuado Amigos do Vila. Nossa intenção era construir uma base alternativa de financiamento para garantir nossa infraestrutura, para que aos poucos conseguíssemos mais independência e pudéssemos criar, produzir, acolher, colaborar, apoiar artistas, promover encontros. Precisamos que vocês, nosso público, sejam nossos coprodutores, que vocês sejam investidores desse teatro ou pode ser que o Vila, depois da pandemia, não consiga se reerguer. Agora, mais que nunca precisamos do seu apoio. Seu e de todos que reconhecem a importância da arte para a construção de uma sociedade melhor. Ajude-nos a reabrir nossos palcos para vocês, para todos. Colabore com a campanha Amigos do Vila, doando mensalmente a partir de R$1,00.
Márcio Meirelles,
diretor artístico do Teatro Vila Velha”.

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