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Em Nice, Pascal Albin lança o CD “Au Coeur de mes Silences”

Alma Baiana
Escrito por Alma Baiana

Totalmente concebido e gravado no Brasil, chega agora no mercado francês e nas plataformas digitais deste verão europeu o CD do bandolinista e compositor Pascal Albin. Trata-se de uma produção independente e altamente inspirada em músicas populares brasileiras e francesas, no qual todas as 13 faixas são composições autorais, instrumentais na sua maioria, e algumas com a colaboração dos letristas Emmanuelle Boudier e Guy Carpiaux. A obra se chama “Au Coeur de mes Silences”, literalmente “No Coração dos Meus Silêncios”.

O artista, que voltou a morar em Nice, capital da Costa Azul francesa, há um ano, após 10 anos passados no Brasil, entre Niterói, Rio e Campinas, acaba de criar a Associação Le Clapotis, para a divulgação do seu trabalho, e prepara para a rentrée de setembro (o termo se refere à volta das atividades culturais, escolares e profissionais, após as férias de verão) um show com três músicos, principalmente baseado no CD e no single que já rola nas plataformas digitais. Este, “Case Départ”, é uma parceria com Nicolas Palhies, seu ex-colega de 33 anos atrás, no Liceu Hoteleiro de Nice, sua primeira formação. Reencontro inesperado e tão intenso que em 2022 farão um álbum juntos!

Estrada belgo-franco-brasileira

O percurso de vida de Pascal é interessante, e merece ser contado em algumas linhas. Para começar, ele só fez nascer na Bélgica, onde ainda moram sua mãe e sua avó, pois bebê veio para Nice, no sul da França, onde se criou e se formou, antes de ganhar outros países, sobretudo o Brasil. Diplomou-se em chef de cozinha pelo Lycée Hôtelier de Nice, mas cresceu mergulhado no universo artístico porque sua mãe era atriz. Com ela ou sozinho, nos anos 90 rodou países europeus trabalhando como assistente em peças teatrais, fazendo figurações e participações musicais para ganhar a vida. Uma bela escola!

Daí surgiu sua paixão pela música, em particular, e o resultado foi que em 1997 se formou em Musicologia e se especializou em Etnomusicologia sobre o Carnaval, na Faculdade de Letras da Universidade de Nice. Sua primeira experiência, ainda como aprendiz, foi no grupo Prova d’Orchestra, formado por jovens músicos niçois, onde tocava percussão. Em seguida, profissionalmente, integrou durante 13 anos o Melonious Quartet, quarteto de bandolim moderno, com o qual inclusive fez turnê Brasil afora, passando por Salvador, no Teatro Molière da Aliança Francesa, na Ladeira da Barra.

Em 2007, então casado, veio morar no Brasil, para acompanhar a mulher, diretora da Alliance Française de Campinas, no interior de São Paulo. Da relação, tornou-se pai de dois meninos, Ambroise e Camille (este, nascido em Campinas), e se ocupou deles durante muitos anos. Na transferência da hoje ex-mulher para a Aliança Francesa de Niterói, encontrou o baixista fluminense Arthur Maia e o cantor e violonista Marcelo Ferreira. No seu estúdio de Niterói, o saudoso Arthurzinho o convida para tocar, logo o encoraja a criar um álbum, em suma, incentivando-o a gravar o CD.

Capa do CD/divulgação

Foi quando teve o estalo da vontade de voltar a tocar, e assim montou a produção com as participações dos companheiros e músicos Cláudio Andrade, Kiko Continentino, Jean Dumas, Rodrigo Marchevsky, Felipe Tauil, Mauro Beleu e Claire Luzi, além de Arthur e Marcelo, iniciando as gravações em 2018. Pronto, e para ser lançado no Brasil em 2020, o trabalho bateu de frente com o marasmo da pandemia e todas as atividades acerca dele, como shows agendados e previstos, cancelados.

Mas num desses milagres da vida, um ano antes, em 2019, ele conhece no Camarote + Brasil, do empresário e promotor cultural francês Alexis de Vaulx, no Sambódromo, a grande carnavalesca de Nice, Annie Masséna-Sidro. Eles simpatizam, e ali mesmo ela o apresenta a Rudy Salles, então secretário de Turismo e das Relações Internacionais da cidade de Nice, em missão para observar a folia carioca. Vale acrescentar que Nice e o Rio são cidades-irmãs desde 1977.

Ao saber que Pascal é niçois, Salles o convidou para compor a música do Carnaval de Nice de 2020, e o mesmo foi realizado, porém interrompido no meio, em pleno turbilhão da pandemia. O convite foi a ocasião para Pascal dar uma outra guinada, e, já divorciado, voltar a morar em Nice, onde atualmente trabalha como expert de música para o Carnaval, na Prefeitura da cidade.

O encarte do CD é uma concepção gráfica do designer Albenzio Almeida, com ilustrações do artista plástico Gilson Martins, e pode ser adquirido no site trilingue do artista – português, francês e inglês -, assim como o acesso às demais informações sobre sua carreira: www.pascalalbin.com

Foto: Pascal no seu apê de Nice com a gatinha Totorrô

  • Duda Tawil, texto e foto, correspondente do Alma Baiana na França

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1 comentário

  • Super !
    Très belle présentation d’un artiste qui mérite d’être mis en valeur tant son inspiration et ses capacités de réalisation et de résilience méritent d’être mises en évidence …

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