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Épernay, a borbulhante capital da Champagne

Alma Baiana
Escrito por Alma Baiana

Não tem neste mundo quem não a conheça, ou ouviu falar. Ela remete à celebração, festa, vitória, alegria e elegância: a champanhe. Este néctar dos deuses é a razão de ser de Épernay, capital da região da Champagne, cidade de 23000 habitantes no leste da França (www.epernay.fr), a apenas 1h15 de Paris, com trens saindo da Gare de l’Est (www.sncf.com).

Os números são impressionantes! Nos subterrâneos da cidade, nas suas caves (onde são guardadas as garrafas) existem 200 milhões de garrafas estocadas em 110km de galerias!!! A sua célebre Avenue de Champagne, que tem um quilômetro, conhecida como “Os Champs-Élysées da Champagne” entrou em 2015 para a prestigiosa lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, o que atraiu ainda mais turistas. O recorde, antes da pandemia, foram 500 mil visitantes/ano.

A elegante Avenue de Champagne é Patrimônio Mundial da UNESCO

Na avenida estão instaladas quase todas as 35 maisons (não se diz fábricas) de champanhe, de nomes que fazem sonhar e fazem a fama mundial da Champagne, região composta por quatro departamentos franceses. Somente na maison Champagne de Castellane (www.castellane.com), de 1895, com sua torre que é um dos ícones da cidade, uma das casas mais antigas e de maior prestígio, estão estocadas nos seus 6km de galerias de caves…10 milhões de garrafas!

A Champagne de Castellane tem 6km de galerias das caves

Na Avenue de Champagne estão também localizados a Prefeitura de Épernay, prédio de 1858, e o fantástico Museu do Vinho de Champagne e de Arqueologia Regional Château Pérrier, no n⁰ 13 (www.archeochampagne.epernay.fr).

Fachada do Museu Château Pérrier

Vale aqui esclarecer definitivamente que a champanhe é um vinho branco espumante, às vezes rosé, e não o nome da bebiba em si. Ela leva o nome da região onde é “fabricada”, e por isso protegida por uma marca registrada. Somente os vinhos brancos espumantes que saem da Champagne têm o direito de ser comercializados, e chamados, de champanhe, aí já na grafia em português.

Ela se consome sempre gelada, mas nunca com gelo. Acompanha tanto os aperitivos (salgados) como as sobrenomesas. Jamais durante a refeição. Hoje apenas três cepas entram na sua feitura: pinot noir, pinot meunier e chardonnay. Na rosé se acrescenta um pouco de vinho tinto, para dar o tom.

Musée Château Perrier, prédio do século XIX e nos seus primórdios uma mansão particular, no seu acervo conserva milênios de história. Inaugurado em 1931, além da rica coleção de arqueologia local e tudo sobre a champanhe de forma acessível, didática, é um local científico e cultural de referência, que contribui para a dimensão internacional do turismo da cidade e da região. E hoje, reformado e reinaugurado em maio, é um museu aberto para o mundo contemporâneo, interativo, sensorial e com novas mídias. A visita é essencial. Está aberto todos os dias e fica a apenas 10 minutos a pé da estação de trem.

O acervo arqueológico cobre milênios da história da região

Aberta em maio passado, Les 3 Domaines (a tradução seria “As 3 Propriedades”) é parada obrigatória: é um espaço de degustação e venda da champanhe de três produtores, Patrick Boivin, Vincent Testulat e Janisson Barandon. Localizada no n⁰ 1 da Avenida de Champagne, é um must (www.les3domaines.com). Vale acrescentar que a região conta com 4300 produtores de champanhe, reagrupados neste site: www.champagnedevignerons.fr.

Quando o assunto é gastronomia, a dica é almoçar ou jantar na Brasserie de la Banque, que além do menu semanal completo por 28€, tem um cardápio espetacular (www.brasserie-labanque.fr). O restaurante é surpreendente, na ex-sede de um banco, Banque de France.

O banco se tornou um excelente bar e restaurante

Nas pâtisseries e padarias espalhadas pela cidade, não se deve deixar de provar a novidade típica local, de dois anos apenas, o moelleux champenois, que é uma invenção 100% artesanal, especialidade só vendida na região: um fino bolo cor-de-rosa, crocante por fora, macio por dentro, feito à base de champanhe, claro. Um dos nove chefs pâtissiers que o inventaram, Loïc Maingre, proprietário da Au Bonheur des Papilles, explica que cai bem se tomar com a rosé.

No Les 3 Domaines, Loïc Maingre apresenta o moelleux champenois

A Federação dos Padeiros da Marne reagrupa 250 boulangers, e para se provar deliciosos chocolates, inclusive com cacau vindo da Bahia, o endereço certo é chez Vincent Dallet, chef chocolatier: a sua casa tem 27 anos de tradição, conhecida em toda a Europa.

A pequena e singela Épernay, com seu lindo teatro e catedral, e seus parques públicos de muito verde, se visita a pé, de tuk-tuk ou de balão! Existem visitas guiadas, com reserva. De tuk-tuk, além do city tour, visitam-se os vinhedos e os produtores no campo, nas cercanias, bem próximas (www.bubbles-tuk-tuk.fr e +33.663.314.774).

A cidade é repleta de parques públicos  com muito verde

Uma vista aérea com explicações do monumentos será a bordo do balão cativo, dito assim porque é preso ao solo: ele sobe 150 metros (www.ballon-epernay.com e +33.326.578.924). Fechado às segundas, os ingressos custam 12€, e 6€ para crianças a partir de três anos.

Do balão, vista aérea total da cidade a 150m do solo

Bon voyage!

Informações gerais: www.epernay.fr

  • Por Duda Tawil, texto e fotos, membro da APE, correspondente do Alma Baiana na França

 

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