A CASACOR Bahia 2026 ocupa novamente o Complexo das Mercês, no centro histórico de Salvador, reforçando o diálogo entre patrimônio, arquitetura contemporânea e cultura. A mostra propõe uma experiência que vai além dos ambientes decorados, integrando tendências de design, bem-estar e inovação. Nesta entrevista, Magali Santana, diretora da CASACOR Bahia, apresenta as novidades da edição, as principais tendências e o impacto do evento na economia criativa e no mercado local.
O que o público pode esperar da edição deste ano da CASACOR Bahia?
O público vai encontrar a CASACOR ocupando novamente o Complexo das Mercês, um dos conjuntos mais antigos do centro de Salvador. Voltamos a esse casarão com a intenção de mostrá-lo com ainda mais profundidade. O masterplan assinado por David Bastos cria um percurso que respeita a arquitetura original e ao mesmo tempo conversa com soluções contemporâneas, com destaque para o pátio central a céu aberto, um dos pontos mais bonitos da construção. A grande marca desta edição é o reforço da vocação cultural da mostra. A CASACOR Bahia 2026 acontece de 7 de julho a 6 de setembro e propõe ao visitante muito mais do que ambientes bem resolvidos. É uma experiência que une a memória do lugar à melhor produção do morar contemporâneo.
Qual é a principal novidade deste ano?
A principal novidade é o aprofundamento da nossa vocação cultural. Nesta edição, ampliamos a ocupação do casarão e demos ainda mais espaço à programação cultural, com a intenção de transformar a CASACOR em um ponto de encontro da cidade durante os dois meses de mostra. Há novidades que vamos revelar ao longo da programação, mas posso adiantar que o eixo cultural ganhou um peso inédito neste ano. Queremos que o visitante saia daqui com a sensação de ter vivido Salvador, e não apenas de ter visto ambientes decorados.
Quais tendências de arquitetura, design e paisagismo estão mais presentes nesta mostra?
O grande fio condutor é o tema “Mente e Coração”, que pensa a casa como um espaço de cuidado e de bem-estar diante de uma rotina cada vez mais acelerada. Isso aparece em ambientes mais acolhedores, no uso de materiais naturais e na valorização da luz e da ventilação. No paisagismo, há uma presença forte do verde e da integração entre o interno e o externo, algo que o próprio casarão favorece com seu pátio aberto. No design, percebo a força da produção autoral e do mobiliário com identidade, muitas vezes assinado por profissionais e marcas baianas.
Qual é o impacto da CASACOR para o mercado de arquitetura e decoração da Bahia?
A CASACOR é a principal vitrine de arquitetura e decoração do estado. Para os profissionais, funciona como uma plataforma de visibilidade que gera negócios e novas oportunidades o ano inteiro. Para o mercado, movimenta toda uma cadeia que vai dos fornecedores aos fabricantes locais. Há também um efeito de profissionalização, porque a mostra estabelece um patamar de qualidade que eleva o nível das entregas e estimula quem participa a buscar o seu melhor projeto. Não é exagero dizer que muitas carreiras na Bahia ganharam outra dimensão depois de uma passagem pela CASACOR.
Como a sustentabilidade e a inovação aparecem nos projetos desta edição?
Esses dois temas estão cada vez mais incorporados ao trabalho dos profissionais, e isso se reflete naturalmente nos ambientes. Vejo um cuidado crescente com a escolha de materiais, com o reaproveitamento e com soluções que reduzem o desperdício. A própria decisão de ocupar um casarão histórico já carrega um sentido de sustentabilidade, porque dá novo uso a um patrimônio existente em vez de construir do zero. No campo da inovação, há tecnologia aplicada ao conforto e à eficiência dos espaços, sempre a serviço de uma casa mais funcional e agradável de viver.
Que importância a CASACOR tem para fortalecer talentos locais e movimentar a economia criativa?
Esse é um dos papéis de que mais me orgulho. A CASACOR Bahia abre espaço de forma deliberada para novos nomes, e nesta edição temos um grupo expressivo de profissionais estreando na mostra. Para um arquiteto ou designer em início de carreira, participar significa exposição nacional e a chance de mostrar o seu trabalho ao lado de nomes consagrados. Além disso, a mostra movimenta a economia criativa local de ponta a ponta, dos fornecedores aos artesãos da região. Quando isso acontece dentro do centro histórico de Salvador, o impacto é ainda maior, porque ajuda a aquecer uma parte da cidade que merece esse olhar.
Que conselho você daria aos jovens arquitetos e designers que sonham em participar da CASACOR?
Eu diria para não esperarem o projeto perfeito para começar. A CASACOR valoriza autenticidade, então o mais importante é desenvolver um olhar próprio e ter coragem de mostrá-lo. Estudem o evento, entendam o que ele representa e preparem um portfólio que traduza a sua identidade, não aquilo que imaginam que a gente quer ver. E mantenham os pés no chão sobre o trabalho que uma mostra exige, porque é intenso. Mas posso garantir que poucas experiências amadurecem tanto um profissional. Estamos sempre de olho em novos talentos, e a porta está aberta para quem chega com consistência e vontade de aprender.