Empreendedor Baiano

Nati, nativa da Praia do Forte

Alma Baiana
Escrito por Alma Baiana
Ela é um desses personagens autênticos, que dão alma, vida, a um lugar. Ainda mais que mexe com alimentos, gastronomia. Estamos falando de Maria da Natividade Teles, ou simplesmente Nati, 65 anos, nativa da ex-vila de pescadores e transformada, em 40 anos, em um dos faróis do turismo brasileiro e, por que não dizer, internacional: a Praia do Forte, pertencente ao município de Mata de São João, no Litoral Norte da Bahia.
Menina, Nati como é carinhosamente conhecida, foi interna no Colégio das Irmãs Dorotéias, no bairro do Garcia, em Salvador. Ali, aprendeu não somente nas salas de aula com as professoras, mas também a cozinhar com as freiras, o que veio a se tornar, anos depois, sua paixão maior e meio de vida. Era o tempo das irmãs, ou como se dizia naquela época, das madres Tavares, Fiúza, Gomes, Fernandes e tantas outras, inesquecíveis.
Mas toda vida é feita de fases, e aí veio o tempo da adolescente voltar para casa. Nascida ali mesmo, de família modesta, como conta ela, a Praia do Forte que hoje conhecemos era uma enorme fazenda, e seu pai o motorista do “coronel” daquelas redondezas. O Projeto Tamar, com sua primeira base brasileira ali instalada em 1980 em área da Marinha do Brasil, para a preservação das tartarugas marinhas, iniciativa aplaudida mundialmente, mudou tudo e chamou a atenção para aquele vilarejo habitado na sua maioria por pescadores. E também a chegada ali de outro personagem, que tudo transformou para melhor: o hoteleiro Klaus Peter. Sensível descobridor de talentos, o paulistano de origem alemã convidou Nati para trabalhar no seu espetacular Eco-resort da Praia do Forte, onde ficou oito anos, e tanto aprendeu.
Vieram tempos de novas mudanças, novos voos, e na guinada, há 25 anos ela abriu o seu próprio restaurante, a Casa da Nati, de nome mais apropriado, impossível, pois, como ele denota, é de comida caseira, e para completar era ali a casa de seu avô, na rua principal da charmosa vila. É sucesso crescente, desde então. A casa serve bufê de café da manhã e almoço a kilo, mas devido à atual situação e seguindo as normas de higiene, tem atendido somente no sistema “à la carte” a partir das 11h. É essencialmente um restaurante típico baiano, de produtos frescos, da maior qualidade, com destaque para os peixes e mariscos, obviamente.
Discreta, já foi homenageada pelo Festival Gastronômico da Praia do Forte, como um dos pilares da boa mesa do vilarejo. Recentemente, recebeu as ex-colegas das Dorotéias e hoje amigas de mais de 55 anos, em confraternização em hora de almoço: Isabela, que mora em Haia, na Holanda, Kátia, Teca e Rita, que vive em Barcelona, na Espanha, mãe da jornalista e apresentadora da TV Bahia, Jéssica Senra. Sua filha, Ana, está em São Paulo, para curso de pâtisserie, seguindo os passos de Nati e com certeza continuará a tradição. A sua prima, Rosa, a poucos metros dali, em rua paralela, aluga para temporada na Casa Rosa.
É um restaurante simples e aconchegante, familiar, com fotos antigas nas paredes de tons da terra, teto de telhas aparentes e algumas mesas na calçada. E tem “ALMA BAIANA”, vírgula e agora dois pontos: a foto desta matéria diz muito mais. Fica bem no meio da rua principal, do lado esquerdo de quem desce a caminho do Tamar, na Avenida ACM, s/n°. Tels.: (71) 3676-1239 e 3676-0201, ou Instagram @casadanati.
Em resumo, um endereço imperdível: bon appétit!
 
 
 * Colaboração de Duda Tawil (texto e foto)

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