Gastrô

O chef Alfredo Martin e seu Restaurante Mariette, em Paris

Alma Baiana
Escrito por Alma Baiana

A alta gastronomia francesa tem nome e endereço certos na Cidade Luz: é o Mariette, no 7⁰ distrito, restaurante do chef venezuelano de origem espanhola (seu pai) Alfredo Martin, 39 anos, com formação no renomado Instituto Paul Bocuse, em Lyon, uma das mais renomadas escolas do mundo, que cursou de 2002 a 2005. Em 2003, ele trabalhou um ano no restaurante do próprio mestre Bocuse, em Collonges. Melhor referência para sua promissora carreira, impossível.

Nascido em Caracas, Alfredo defende a tradição quando se trata da boa mesa: “não gosto de misturar as cozinhas, se não, se perde a identidade”. Ele abriu o Mariette há 12 anos. E o detalhe é que o menu é sempre “découverte”, ou seja, uma descoberta, o cliente não sabe previamente o que vai comer. No caso dos vegetarianos ou alguma restrição, avisa-se antes, no momento da reserva.

Ele se constitui de três partes, sempre: entrada e prato principal, e depois queijos ou sobremesa, e custa 70€. Opcionais, três taças de vinho acompanham cada etapa, harmonizando a experiência gastronômica: 30€. Todo o menu é obviamente gourmet, ele só utiliza produtos diretamente oriundos dos seus fornecedores. A vitela, por exemplo, vem da cidade de Avignon e outras carnes de boi da Boucherie du Perché, vizinha a ele. Os pescados das regiões da Normandia e Bretanha, entregues no mesmo dia, pela pesca artesanal da Marilux. A batata-doce? É de Laurent, o Roi de la Patate Douce da região da Provence, no sul da França.

Exemplo da entrada é o lagostim, levemente cozido, sobre um tomate maduro

Os menus mudam todas as semanas, são sazonais, pois a França tem as quatro estações bem definidas. “Eu escuto primeiro os agricultores e os pecuaristas. Eles são a minha base, e, a partir daí, constituo os menus”, conta o simpático Alfredo, instalado na França bem jovem, há 20 anos. O nome Mariette é em homenagem à avó, e a decoração, toda clean, bem moderna, vem do talento da prima, a artista plástica venezuelana Mercedes Mello, com seus próprios quadros e instalações no bonito ambiente. “O restaurante é pequeno e pede uma experiência qualitativa”, afirma ele em conhecimento de causa, e, de fato, é delicioso!

Peixe “la vieille”, da Bretanha, com a sua crosta, numa cama de espinafre e molho de mexilhões

Convicção dividida com a sua sommelière (especialista de vinhos), a italiana Valentina Maiure. Encarregada das bebidas no restaurante, é ela quem prova diretamente nos vinhedos, visita os “cavistes”, fornecedores, que também são os produtores, porque “o melhor vinho é o da pequena produção, entre 16 mil a 20 mil garrafas por ano”, revela. Assim é ela quem vai até o Arôme, de Fabrice, e em regiões de vinhedos renomados, como a Burgonha. Ela seleciona e propõe apenas 15 vinhos, todos maravilhosos, entre o tinto, o branco e o champanhe. Entre os brancos, destaca o Desjourneys, da cepa viognier.

Cordeiro tenro e assado, acompanha arroz negro da região da Camargue, e molho branco de iogurte grego com alecrim e pimenta de Espelette

A maioria da clientela é francesa, e entre os estrangeiros, sobretudo os americanos, pela localização no elegante bairro da Avenue e da Rue Bosquet. É uma experiência degustativa inesquecível, superdica de turismo para quem visita a Cidade Luz. Portanto, bon appétit!

Mais informações no site: www.mariette-paris.com,

Instagram @mariette_restaurant e Facebook marietterestaurant.

  • Por Duda Tawil, texto e fotos, correspondente do Alma Baiana na França

 

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