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Salvador: paciente bariátrico só tem prioridade na vacinação contra covid se ainda apresentar obesidade mórbida

Alma Baiana
Escrito por Alma Baiana

Pacientes com obesidade grau 3, ou seja, índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 40, estão incluídos no grupo prioritário para vacinação contra a Covid-19 em Salvador. Para ter acesso à vacina, moradores da capital baiana que apresentem esta comorbidade precisam ser cadastrados pelo médico que o acompanham por meio de um site específico (comorbidades.saude.salvador.ba.gov.br). Aqueles que já se submeteram à cirurgia bariátrica, mas ainda não saíram da condição de obesos mórbidos, podem solicitar o cadastro.

Diferente do que acontece na cidade do Rio de Janeiro, onde a regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica estabeleceu uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde para incluir no grupo prioritário os pacientes que já foram submetidos à cirurgia bariátrica, independente do seu peso atual. Em Salvador, não houve iniciativa que garantisse esse direito aos pacientes pós-operados que já perderam peso e não mais integram a categoria de obesos mórbidos.

Se o paciente bariátrico tiver IMC menor do que 40, mas se enquadrar em outras categorias prioritárias – tiver a idade acima da mínima estipulada por decreto municipal ou se encaixar em uma das categorias profissionais que já têm direito à vacina – ele poderá “passar na frente” da fila. “Eu já dei relatório para um paciente pós-bariátrica porque, a despeito dele já ter sido operado, ele ainda não saiu do risco da obesidade mórbida, pois existe um tempo – geralmente alguns meses – entre a cirurgia e a perda de peso”, explicou o cirurgião bariátrico do Robótica Bahia (RB) – Assistência Multidisciplinar em Cirurgia, Creilson Almeida de Campos.

De acordo com o especialista, em muitos casos, a obesidade é uma condição inflamatória associada a outras doenças, como hipertensão, diabetes, dislipidemia (colesterol alto), esteatose hepática (gordura no fígado), entre outras. “Quando temos uma doença pró-inflamatória como a obesidade, associada a um vírus altamente pró-inflamatório como o Sars-CoV-2, causador do coronavírus, temos duas doenças graves que, somadas, aumentam muito o risco de desenvolvimento da forma mais grave da Covid-19”, destacou o médico, que atende no Hospital São Rafael, coordena o serviço de Cirurgia Bariátrica do Hospital Municipal de Salvador e a equipe de Cirurgia Geral do Hospital Cardiopulmonar.

O fato de muitos pacientes obesos apresentarem restrição respiratória explica o potencial que a obesidade tem de agravar a insuficiência respiratória presente em muitos casos de Covid-19. Isso não quer dizer que todo obeso vai desenvolver a covid grave, mas que a probabilidade é maior. “Uma das razões que explica a alta mortalidade por covid-19 nos Estados Unidos, por exemplo, é o fato da população daquele país ser muito obesa. Estima-se que metade da população americana esteja com sobrepeso (IMC igual ou superior a 25)”, pontuou o cirurgião do RB.

Diversas pesquisas mostram que o sobrepeso e a obesidade estão entre as consequências da pandemia de covid-19, já que o isolamento social e o estresse causado pelo surto favoreceram não só o consumo maior de alimentos em casa como também o sedentarismo. Como se já não bastassem os riscos da obesidade para a saúde, o cenário tornou-se ainda mais delicado pelo fato da doença crônica ser um fator de risco elevado para pacientes que testam positivo para o novo coronavírus.

Na foto, Creilson de Campos (divulgação)

 

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