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“Um Ar de Família” no Museu de Arte e de História Paul Éluard, em Saint-Denis

Alma Baiana
Escrito por Alma Baiana

Nas portas de Paris, sentido norte da Cidade Luz, pela linha 13 do metrô, está situado o Museu de Arte e de História Paul Éluard de Saint-Denis, fundado em 1899, e ali instalado desde 1981. O prédio é um lindíssimo ex-monastério carmelita do século XVII, com claustro, capela e jardins.

Atualmente, e até 8 de novembro, a sua exposição temporária “Um Ar de Família” faz um tributo à África, na qual 14 mulheres artistas do continente africano e da sua diáspora apresentam e descrevem um diálogo entre o contemporâneo, ou seja, as suas obras, e o antigo, a coleção permanente deste singular museu.

A entrada do museu, um antigo monastério carmelita do século XVII, depois um tribunal de justiça

O título da mostra, em francês, foi feminilizado para Un.e Air.e de Famille, e tem duplo sentido: significa também, e literalmente, “Uma Área de Família”, em relação à África e seu lugar no mundo, suas tradições, influências, contemporaneidade e a diáspora. Cada artista plástica conta a sua história e reafirma a importância do continente africano, nesta exposição engajada contra o colonialismo, e de tudo o que dele decorreu: o racismo, a violência, a submissão e a exploração.

Esta era também a posição dos artistas surrealistas tão presentes no acervo do museu, e todos homens, como Gavarni, Daumier, Jourdain, Effel, e sobretudo o poeta Paul Éluard, nascido em Saint-Denis, falecido em 1952, homenageado com seu nome na instituição.

Estatuetas masculina e feminina em madeira, da Nova Guiné, do acervo permanente do museu, e que pertenciam à coleção particular de Paul Éluard

Assim, a presença feminina ali, hoje, tenta estabelecer um equilíbrio, e as artistas convidadas são: Laeïla Adjovi, Eliane Aïsso, Malala Andrialavidrazana, Yto Barrada, Nadia Kaabi-Linke, Katia Kameli, Kapwani Kiwanga, Tuli Mekondjo, Otobong Nkanga, Owanto, Thania Petersen, Euridice Zaituna Kala e as irmãs gêmeas Chevalme.

 

Laeïla mergulhou na cultura iorubá com sua instalação de fotos, desenho na parede e sonoridades “Os Caminhos de Yemanjá”. As fotos foram tiradas no Benin, onde nasceu, Nigéria e, atravessando o Atlântico, Cuba, onde a popular e querida divindade das águas salgadas é cultuada na santeria, assim como no nosso candomblé afro-brasileiro. É a foto de capa desta matéria.

A exposição está dividida em três partes e ambientes do museu, no contexto da Saison Africa2020

A exposição está no contexto de um projeto maior, a Saison Africa2020, em vários espaços culturais da França, e que, devido à pandemia, se estende até o presente ano. São curadoras da mesma Anne Yanover (também diretora do museu, desde 2019) e Farah Clémentine Dramani-Issifou, com a colaboração das irmãs Chevalme, e Laurance Perrigault e Patrice Allain, professores da Universidade de Nantes, os conselheiros científicos.

A cidade de Saint-Denis está colada a Paris, e é também muito conhecida pela Basílica de Saint-Denis, iniciada no século V, bem depois catedral gótica no século XII, em cujo interior estão as tumbas da realeza francesa, como um osso do punho do rei Luís IX, canonizado como São Luís, centro de peregrinação na Idade Média, e finalmente restaurada no século XIX; e, recentemente, o Stade de France foi construído para receber a Copa do Mundo de Futebol da França de 1998, de triste memória para o Brasil na final do dia 12 de julho daquele ano…

O claustro do museu com seu belo jardim interior

O museu fecha às terças-feiras, e as entradas custam 5€ e 3€. Mais informações: www.musee-saint-denis.fr.

Boa visita!

Por Duda Tawil, texto e fotos, correspondente do Alma Baiana na França

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